Psicanálise e arte

Há dois anos começamos a estudar a aproximação da Arte com a Psicanálise. Achávamos que alguma coisa de nosso interesse encontraríamos no detalhamento desse tema. Na Arte procurávamos o que não sabíamos, a invenção estética, e, na Psicanálise, a reinvenção clínica. Começamos muito bem, ou seja, por aquilo que não sabíamos.
Precisávamos de um texto para nossa transferência de trabalho e, como prática fundamental, a palavra e a escuta deveriam circular  entre os participantes. Os três tempos da lei, de Alain Didier-Weill, psicanalista e teatrólogo, tem nos servido muito bem como base para nosso trabalho. É um texto bem construído, expressivo, cheio de metáforas, no qual o sujeito inventivo do quarto laço, dessubstancializado, deslizando de significante a significante, está presente, estabelecendo todo o tempo novos sentidos.
Estudamos também outros escritos e intercalamos em nossos trabalhos filmes e a leitura de peças de teatro que acreditamos serem pertinentes aos nossos debates e articulações. Com isso acreditamos poder trilhar o caminho da apreciação artística e do diálogo em torno das diversas construções criativas e de diferentes linguagens, sem ideias preconcebidas. A palavra, a escuta e a imagem circulam, um novo trabalho se faz, permitindo a cada um o elaborar de uma construção singular.   
(Everaldo Soares Júnior)